Eliza Samudio
Rio de Janeiro - O goleiro Bruno Souza, do Flamengo, foi levado no início da noite de ontem para a Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca. Na sua chegada, o jogador rubro-negro foi insultado por cerca de 200 curiosos que o chamavam de assassino. Durante o trajeto te o local, o goleiro ficou em silêncio e foi escoltado por policiais.
Bruno, juntamente com Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, chegou à Divisão de Homicídios às 19h13. Ambos, que não estavam algemados, prestaram depoimento. Depois de serem ouvidos, os dois foram encaminhados a um exame no Instituto Médico Legal (IML). Ainda não está decidido se os dois ficarão presos no Rio de Janeiro ou em Minas Gerais.
Bruno e Macarrão se entregaram no final da tarde na Polinter (Polícia Interestadual), após terem tido a prisão temporária decretada, pela acusação de atrapalharem a investigação sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, ex-namorada de Bruno. O delegado titular da Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro, Felipe Ettore, informou que o atleta do Flamengo está sendo indiciado pelo sequestro de Eliza Samudio. Já em Minas, o indiciamento é por assassinato.
"O Bruno está sendo indiciado pelo sequestro de Eliza Samudio por ser o mandante intelectual do crime. A pena é de até três anos de reclusão. Pela polícia de Minas Gerais, ele está sendo indiciado por assassinato, com pena de 12 a 30 anos", disse. Felipe Ettore afirmou ainda que Macarrão e o menor de 17 anos, primo do goleiro rubro-negro, foram indiciados por execução do sequestro.
Também foi decretada a prisão da mulher de Bruno, Dayanne de Souza, que foi detida na manhã de ontem em sua casa, em Belo Horizonte, e conduzida ao Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa da capital mineira.
Além de Bruno, Dayanne e Macarrão, são alvo de mandados de prisão: Flávio Caetano Araújo, Wermerson Marques de Souza, conhecido como Coxinha, Elenílson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Salles Camilo.
Depoimento
Os pedidos de prisão foram feitos depois que um adolescente afirmou que participou do sequestro e morte de Eliza, junto de Macarrão. O menor disse ter dado uma coronhada na cabeça da vítima com uma pistola que pertenceria ao comparsa. Em razão do depoimento, sua internação provisória também foi determinada pela Justiça. Em nota oficial, o Ministério Público do Rio de Janeiro afirma que, em seu depoimento à polícia, o adolescente disse que Eliza foi morta por estrangulamento. A polícia confirmou a informação. O adolescente será levado para a Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro para uma acareação com o goleiro e o amigo dele, Macarrão.
Buscas
Até o fechamento desta edição, 50 policiais civis e militares do Rio e MG, bombeiros e peritos cercavam a rua Araruama, no bairro de Santa Clara, na cidade de Vespasiano (região metropolitana de BH), em busca de pistas de onde estaria Eliza. Os agentes foram levados ao local com base no depoimento de um adolescente e acreditam que os restos mortais de Eliza podem estar em uma casa nas proximidades.
Até o momento, foram retirados do local dois rotweiller, sete filhotes da mesma raça, e um cachorro vira-lata. O adolescente, que orientava a polícia, deixou o local em uma viatura às 16h.
Habeas corpus
Bruno pode entrar com habeas corpus contra cada um dos mandados de prisão. Os pedidos serão julgados pela Justiça mineira e fluminense. A polícia ainda pode pedir a prisão preventiva, esta sem prazo de encerramento. O advogado Michel Assef, que representa Bruno, já anunciou que pedirá a liberdade de seu cliente ainda hoje. Ainda não existe processo penal contra os suspeitos. Eles podem ser indiciados ao fim do inquérito que apura a morte de Eliza por crimes como sequestro e homicídio qualificado. Em seguida, o Ministério Público decide se apresenta denúncia, o que torna os suspeitos oficialmente acusados pelos crimes. Se a peça for recebida pela Justiça, todos se tornam réus pela morte.
Fonte Umuarama Ilustrado.
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