titulo do conteudo salanews PALMADINHA

Afinal de contas, é certo ou errado “educar” os filhos utilizando-se do recurso das famosas palmadinhas? O que vocês, pais e mães, pensam a respeito? Não me cabe julgar a forma como cada pai e mãe transmite aos seus filhos uma visão de mundo. A maneira, através da qual me valerei para auxiliar na constituição de um sujeito em desenvolvimento quando vier a ter um filho guardo para o âmbito privado, de modo que vislumbro a discussão fora de foco. Reputo que a questão crucial não se resume ao certo ou errado, a favor ou contra a palmada; abstendo-me, portanto, da (i) moralidade envolvida no ato em tela, desloco o olhar para o suposto saber e o corolário poder de uma deputada federal que projeta uma lei a fim de dizer a forma (ou seria fôrma) correta de se criar um filho, caso contrário, punição para aumentar um pouco a culpa. Que reste claro, mais uma vez, meu posicionamento aqui não é defender ou atacar a palmada, mas levantar outra (s) indagação (ões). Qual seja a de pensar aquilo que vige por trás deste projeto. Quando se chega ao ponto de se buscar a criação de uma lei, ditando o modo de se “educar/criar” um filho, impossível não me remeter ao declínio de outra lei, no caso a Lei; do pai, cuja função primeira é justamente instaurar limites. Entretanto, em nosso país costuma-se discutir a posteriori: o que fazer agora (depois que a bomba explodiu)? Não se volta ao que subjaz; ao não exercício de uma função paterna, a qual, pela palavra, a priori, se exercida facilitaria a imposição do limite e revelaria consequentemente a inocuidade deste projeto. Destarte, a função paterna cada vez menos exercida propicia a um outro posicionar-se como aquele que detém o saber, perpetuando pelo poder, a concepção de sempre haver um especialista, um guru, um oráculo ao qual se deve consultar a fim de educar as crianças, conforme uma receita de bolo. Este é o Brasil que queremos para nossos filhos? Que eles precisem do Direito para lhes dizer o que é direito? 


Fonte Umuarama Ilustrado.

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